Traço Humanista

Ao pensar em Arquitetura, é automático se lembrar de Oscar Niemeyer e sua significativa e marcante participação na história do Brasil, principalmente em Brasília. O carioca, em toda a sua jornada, criou um legado deslumbrante: projetos excepcionais em diversos estados brasileiros e países. Nascido em 1907, na cidade do Rio de Janeiro, Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho, apesar de sua importância e relevância mundial, também possuía um lado humano, sensível e uma inabalável esperança de um mundo melhor. Para conhecer um pouco mais sobre esse olhar solidário e altruísta de Niemeyer, a Villagres realizou uma entrevista com Paulo Niemeyer, bisneto do arquiteto, que comanda o Instituto Niemeyer e o escritório Niemeyer Arquitetos Associados:

Oscar Niemeyer sempre enfatizava: “O importante não é a arquitetura, o importante é a vida”. Você, que trabalhou e viveu com o arquiteto, conte-nos sobre este lado empático do artista em relação à humanidade.

Sim, esta frase era a base de sua vida. Foi possível constatá-la no dia a dia com meu avô e ter a certeza de como este princípio norteou sua vida e seus atos. O Oscar sempre teve como dogma a importância da solidariedade com o próximo e estar cercado pelos amigos e pela família era, para ele, o principal. Para Niemeyer, a amizade, os bons livros e as poesias eram os motores de sua vida: “Tenho a consciência de que a vida é um minuto e o que vale é a solidariedade. Acho importante não olhar para os outros como se fossem inimigos, descobrindo seus defeitos. Lênin dizia que se um homem tem 10% de qualidades isso já basta. O mundo é cheio de gente boa. Todo mundo tem um lado bom”.

Oscar Niemeyer á direita.

Com inúmeros projetos que trazem significado à arquitetura nacional e mundial, Oscar Niemeyer pensava a frente de seu tempo. Como é fazer parte desta história e qual o seu papel hoje em manter o legado do arquiteto vivo por gerações?

“Acho fascinante ter feito parte de sua vida e de seu trabalho. Ter vivido com o Oscar e seus amigos e poder colaborar com ele, sempre que me solicitou, foi a maior conquista da minha vida, com toda a certeza, e a realização profissional e de um sonho. Foi um coroamento de tudo que vi e vivi a minha vida inteira, pois meu pai e minha mãe são excelentes arquitetos, então sempre estive envolvido de alguma forma com a arquitetura. Por isso, considero importante e luto pelo seu legado, herança esta que norteia meu trabalho, me emociona e me motiva a criar beleza, como meu avô gostava de dizer”.

Oscar Niemeyer
Oscar Niemeyer e Paulo Niemeyer

Atualmente, você está desenvolvendo obras inéditas de seu escritório e finalizando projetos que Niemeyer deixou em andamento. Como é feito este processo de dar continuidade ao trabalho de um dos gênios da arquitetura?

“Sim. Estamos com bastante trabalho autoral inédito e, também, de resgate das obras do Oscar. Este trabalho depende muito do nível de demanda, por exemplo: fizemos, recentemente, o resgate do projeto do Museu da Bíblia, para Brasília. Os desenhos eram insuficientes e pouco claros, mas nas pesquisas do processo aberto na cidade encontramos os esboços originais, o que permitiu respeitar a volumetria, o partido arquitetônico e o projeto como um todo, pois haviam detalhes considerados por Oscar que resolviam o projeto. Outro caso é a Torre Oscar Niemeyer, que estamos fazendo na Barra da Tijuca e que se tornará, com certeza, outro ícone da arquitetura de Niemeyer. Neste caso, os desenhos todos estavam intactos, mas com várias alterações ao longo dos anos. Então, respeitamos ao máximo todas as características principais e modernizados a fachada. Além disso, terminamos recentemente o Museu do Prestes, em Porto Alegre. E assim caminhamos trabalhando, sempre reverenciando nosso mestre maior Oscar Niemeyer e como ele dizia sempre: “vida que segue”.

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